“O que a gente tem são velhos hábitos, que ficaram em segundo lugar”, afirma especialista em Segurança do Paciente

Duas últimas lives do Projeto IRAS associaram as infecções à COVID-19

As duas últimas lives realizadas pela equipe do Projeto IRAS (Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde) abordaram as infecções associadas à Covid-19. A primeira delas, que ocorreu no final de março, tratou das medidas restritivas e seus impactos na pandemia da Covid-19: mais infectados, mais mortos e a emergência de uma cepa mais perigosa do SARS-CoV-2. A segunda, que ocorreu no dia 29 de abril, abordou as realidades e os desafios das IRAS associadas à Covid-19.

Para a enfermeira e especialista da Fiocruz, Kleiny Cristo, “O que a gente tem são velhos hábitos, que ficaram em segundo lugar, como a higienização das mãos, dos ambientes, melhorar a circulação dos ambientes, repensar essa vivência, melhorar a cadeia para que o paciente tenha possibilidade de recuperação e uma saída efetiva”, pontua. Ela citou experiências e ações com equipes que lidam diariamente com as IRAS em hospitais na tentativa de reduzir os casos da Covid-19 ou mesmo reduzir a gravidade.

Entre os desafios citados por Keliny estão o cansaço dos profissionais, a reorganização das equipes, dos fluxos, o medo, a necessidade de reorientar as pessoas. “O tempo de retomar os fluxos foi pequeno”, pontua a enfermeira ao se referir à segunda onda.

Isabela Rodrigues, que é enfermeira e presidente da Coordenação de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde (CCIRAS), do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), ressaltou que “as IRAS sempre foram um tema bastante desafiador, porque envolvem questões bastante complexas, envolvem muitos profissionais de saúde. Temos uma atribuição muito importante na definição e divulgação de diretrizes baseadas em evidências científicas”, pontua.

A enfermeira destaca, ainda, que o mundo passa por um momento muito adverso, em que o insumo é finito e, por isso, para que não falte aos profissionais, é preciso organização, para que esses profissionais possam atender de forma segura os pacientes. Ela citou, ainda, os tipos de precaução, como a higienização das mãos, uso de luvas, de avental e de máscaras.

O professor Bruno Campello de Souza destacou, na primeira live, que o importante “são lógicas e evidências científicas. Qualquer coisa fora disso é uma falácia”, afirma. Ele citou periódicos que tiveram que se retratar durante a pandemia, por erros em artigos científicos, estudos que esquecem de associar o passado ao futuro. Além disso, que muitas pesquisas “fazem pressupostos do vírus e da pandemia, pontuando um tempo para a infecção, um tempo de duração, pressupõe quantidade de infectados, probabilidade de transmissão, outras que supõem que certa medida restritiva produz efeito em tempo fixo, que podemos predeterminar. Isso é um erro porque o tempo não é fixo. Existem estudos que comparam diferentes estudos sem contabilizar a localização, sem considerar características genéticas etc”, finaliza.

Confira a live sobre medidas restritivas: https://www.youtube.com/watch?v=EKJ1eKn084M

Confira a live sobre as realidades e os desafios: https://www.youtube.com/watch?v=RYlhh2LY0AU&t=2921s

Assessoria de Comunicação do Projeto IRAS IFG / Ministério da Saúde